Governo Federal anuncia moradias, saneamento e ônibus elétricos para o RS

Diego Rodríguez Velázquez
Governo Federal anuncia moradias, saneamento e ônibus elétricos para o RS

Pacote de investimentos do Novo PAC chega dois anos após as enchentes de 2024 e reforça a reconstrução das cidades ainda afetadas

O Rio Grande do Sul recebeu, nesta semana, um novo pacote de investimentos federais voltado às cidades que ainda sentem os efeitos das enchentes de 2024. O anúncio foi feito em Porto Alegre pelo Ministério das Cidades e contempla obras de habitação, saneamento básico e mobilidade urbana, incluindo a chegada de 100 ônibus elétricos a municípios gaúchos, segundo informações divulgadas pela Agência GBC.

O pacote integra as ações do Novo PAC e busca acelerar a recuperação da infraestrutura em regiões que seguem em obras de reconstrução, mais de dois anos após o maior desastre climático já registrado no estado. A iniciativa reforça um esforço que já vem sendo tocado desde 2024 e que passou por um balanço detalhado em abril deste ano, quando o governo estadual completou dois anos das enchentes.

Naquela ocasião, o governador Eduardo Leite (PSD) reuniu secretários e o vice-governador Gabriel Souza para apresentar os resultados do Plano Rio Grande, programa estadual de reconstrução que já soma mais de R$ 14 bilhões alocados. Leite classificou o plano como o maior volume de investimento já direcionado a uma resposta a desastre climático no país, conforme registrou o Sul21.

Do lado federal, o balanço divulgado em abril mostrou que 430 mil famílias já haviam sido beneficiadas pelo Auxílio Reconstrução, com repasse de R$ 2,2 bilhões.

O programa Minha Casa Minha Vida Reconstrução, por sua vez, já havia viabilizado cerca de 25 mil moradias contratadas ou em processo de contratação, com investimento de R$ 3,5 bilhões, das quais 12.468 unidades já tinham sido entregues na modalidade de Compra Assistida, de acordo com dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

No eixo econômico, o governo federal mobilizou R$ 32 bilhões em recursos novos para o Rio Grande do Sul, além de R$ 22 bilhões em antecipação de benefícios e prorrogação de tributos e R$ 34,7 bilhões em novos créditos disponibilizados a empresas e produtores rurais atingidos pela tragédia. Ao todo, 66 mil empresas já haviam sido beneficiadas por essas linhas, somando R$ 23,5 bilhões em investimentos.

Chama atenção também o desempenho da economia gaúcha mesmo diante do impacto das enchentes. A estimativa inicial apontava crescimento de 3,6% do PIB estadual em 2024, mas o resultado final chegou a 4,9%, acima do esperado mesmo em um ano marcado pela tragédia climática. A arrecadação de ICMS entre julho de 2024 e junho de 2025 também superou em R$ 7,6 bilhões o registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

Na área de infraestrutura viária, o governo estadual já havia contabilizado, até abril, a recuperação de 800 quilômetros de rodovias afetadas pelas cheias, um dos pontos citados por Leite como prioridade para restabelecer a circulação de pessoas e mercadorias entre as regiões atingidas. Para o restante de 2026, a previsão é de que mais mil moradias definitivas sejam entregues até o fim do ano.

A preocupação com novos eventos climáticos também segue no radar das autoridades.

Previsões do Instituto Nacional de Meteorologia, baseadas em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, indicavam já em abril um aumento da probabilidade de formação do fenômeno El Niño ao longo de 2026, com maior chance de chuvas acima da média no trimestre entre maio e julho no estado gaúcho, conforme apontou o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Diante desse cenário, o governo estadual tem reforçado o que classifica como uma mudança de cultura na Defesa Civil, com foco em prevenção e não apenas em resposta emergencial. Leite chegou a afirmar que o Rio Grande do Sul está mais preparado para enfrentar uma eventual nova crise climática, embora reconheça que o desafio de reconstrução ainda está longe de terminar em diversas cidades do estado.

O novo pacote anunciado esta semana pelo Ministério das Cidades deve se somar a essas frentes já em andamento, ampliando o alcance das obras de saneamento e mobilidade em municípios que seguem na fila da reconstrução. Para a população dessas cidades, a expectativa agora é acompanhar o cronograma de execução das novas obras e verificar, na prática, o impacto dos recursos anunciados no dia a dia de quem ainda convive com as marcas das enchentes de 2024.

Compartilhe esse artigo
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *