Duas novas cooperativas passaram a integrar a estrutura produtiva de Boa Vista do Tupim, no interior da Bahia. Constituídas entre os dias 23 e 24 de setembro de 2026, a Florada do Sertão e a Raízes do Tupim foram organizadas para atuar, respectivamente, nas cadeias do mel e do licuri. A iniciativa busca fortalecer agricultores familiares, agregar valor à produção e ampliar as possibilidades de comercialização.
A criação das entidades faz parte das ações do Centro de Ciências para o Desenvolvimento em Agricultura Digital, o Semear Digital, coordenado pela Embrapa Agricultura Digital. O município baiano é um dos dez Distritos Agrotecnológicos do projeto, que trabalha para aproximar pequenos e médios produtores de tecnologias, capacitação e novas formas de organização produtiva.
De acordo com a reportagem publicada pelo Semear Digital, da Embrapa Agricultura Digital, agricultores e apicultores envolvidos participaram, nos dois anos anteriores à constituição das cooperativas, de atividades voltadas ao cooperativismo, à legislação, à organização coletiva e à comercialização.
O processo também teve a participação da União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bahia (Unicafes/BA), do Sebrae e do governo estadual. A formação foi estruturada para preparar os produtores para uma atuação conjunta, com maior capacidade de planejamento e de negociação em diferentes etapas da cadeia produtiva.
Organização coletiva busca superar barreiras de mercado
Para agricultores familiares, a formação de cooperativas pode contribuir para enfrentar dificuldades comuns, como a venda isolada da produção, o acesso limitado a compradores e a necessidade de melhorar a apresentação dos produtos. Ao reunir produtores em uma estrutura comum, a iniciativa cria condições para buscar maior escala de comercialização e fortalecer a identidade dos itens produzidos no território.
No caso da Florada do Sertão, o foco está na cadeia do mel e nas atividades relacionadas à apicultura. Já a Raízes do Tupim terá atuação voltada ao licuri, fruto de importância para comunidades rurais do interior baiano. Em ambos os casos, a organização coletiva pretende apoiar a transformação da produção em oportunidades comerciais mais consistentes para os agricultores envolvidos.
A proposta não se limita ao aumento do volume vendido. A cooperação também pode facilitar a busca por melhorias na apresentação dos produtos, no planejamento da produção e na construção de estratégias para alcançar novos mercados. Esses fatores são especialmente relevantes em cadeias que dependem da valorização da origem, da qualidade e da regularidade da oferta.
Cooperativas incluem diferentes grupos do meio rural
As estruturas criadas em Boa Vista do Tupim também apresentam um recorte de inclusão. Segundo o Semear Digital, as cooperativas preveem diretorias voltadas a mulheres, comunidades tradicionais e agricultores assentados. A participação desses grupos na governança amplia a representatividade das organizações e incorpora diferentes experiências presentes na agricultura familiar do município.
Boa Vista do Tupim está localizada no interior da Bahia e reúne atividades rurais como a produção de mel, licuri, mandioca e hortaliças. Nesse contexto, o cooperativismo aparece como uma ferramenta para organizar cadeias produtivas específicas sem afastar os produtores de sua realidade local. A iniciativa também pode servir de referência para outros empreendimentos rurais que enfrentam desafios semelhantes de comercialização e agregação de valor.
O Semear Digital mantém uma página com atualizações sobre as ações do projeto e os Distritos Agrotecnológicos. A relação de iniciativas pode ser consultada na área de notícias do Semear Digital. A constituição da Florada do Sertão e da Raízes do Tupim representa uma das frentes de trabalho voltadas à organização produtiva e ao fortalecimento da agricultura familiar no território baiano.
Próximos passos dependem da atuação conjunta
Com as cooperativas formalizadas, os produtores passam a contar com uma estrutura própria para dar continuidade às ações de organização, capacitação e comercialização. O resultado dependerá da participação dos associados e da capacidade de transformar o conhecimento adquirido em práticas de gestão, planejamento e acesso a compradores.
A experiência de Boa Vista do Tupim mostra como iniciativas de formação e articulação institucional podem apoiar a criação de organizações coletivas no campo. Para os produtores de mel e licuri, a expectativa é que a atuação conjunta ajude a ampliar a competitividade e a visibilidade dos produtos, preservando a base da agricultura familiar e fortalecendo a economia rural do município.