A ID CTVM avalia como a concentração de recebíveis em um ou vários cedentes e devedores pode influenciar o perfil de risco de um FIDC
Um dos primeiros elementos técnicos avaliados na estruturação de um fundo de investimento em direitos creditórios é a definição sobre sua abrangência em relação a cedentes e sacados, ou seja, se o fundo será constituído para adquirir recebíveis de uma única empresa cedente e de um número limitado de devedores, estrutura conhecida como monocedente e monossacado, ou se reunirá recebíveis originados por múltiplas empresas cedentes e devidos por uma base ampla e diversificada de sacados, modelo chamado de multicedente e multissacado. Essa escolha estrutural, que independe do setor econômico específico de onde provêm os recebíveis, influencia diretamente o perfil de risco de concentração assumido pelos cotistas do fundo.
Fundos multicedente e multissacado distribuem o risco de crédito entre um número maior de participantes da cadeia de originação de recebíveis, reduzindo o impacto que a eventual inadimplência de um único cedente ou sacado pode exercer sobre o desempenho da carteira como um todo, característica que costuma atrair um perfil de investidor mais avesso à concentração de risco em poucos nomes.
Limites regulatórios de concentração orientam a composição da carteira
A regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários estabelece parâmetros e exige que o regulamento de cada FIDC defina limites máximos de concentração por cedente e por sacado, mecanismo que impõe disciplina à composição da carteira independentemente da estratégia de originação adotada pelo gestor do fundo. Esses limites, expressos como percentual máximo do patrimônio líquido do fundo que pode estar exposto a um único cedente ou a um único sacado, funcionam como uma salvaguarda estrutural contra a concentração excessiva de risco em poucos participantes.
Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, o acompanhamento contínuo desses limites de concentração é uma das funções centrais exercidas pelo administrador fiduciário ao longo de toda a vida de um fundo.
“Não basta definir limites de concentração no regulamento do fundo no momento de sua constituição. É preciso monitorar esses limites diariamente, porque a composição da carteira muda a cada nova cessão de recebíveis incorporada ao fundo. Quando um limite se aproxima do patamar máximo permitido, o administrador fiduciário precisa sinalizar isso ao gestor para que novas aquisições sejam direcionadas a cedentes ou sacados que ainda tenham espaço dentro dos limites regulamentares”, explica o executivo.
A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados de diferentes perfis, monitorando de forma contínua os limites de concentração por cedente e por sacado definidos no regulamento de cada operação sob sua gestão, independentemente do setor econômico de origem dos recebíveis que compõem a carteira.
Diversificação não elimina a necessidade de análise individual de crédito
Ainda que a pulverização entre múltiplos cedentes e sacados reduza o risco de concentração de uma carteira, essa diversificação não substitui a necessidade de uma análise individual de crédito de cada participante incorporado ao fundo, uma vez que a qualidade agregada da carteira depende, em última instância, da soma de decisões de originação tomadas de forma criteriosa ao longo do tempo. Fundos que adotam uma estratégia de pulverização sem o devido rigor na seleção individual de cedentes e sacados podem, ainda assim, acumular exposição a um conjunto de créditos de baixa qualidade, ainda que distribuídos entre um número elevado de participantes.
Por esse motivo, administradores fiduciários e gestores especializados costumam combinar a estratégia de diversificação estrutural com processos robustos de análise individual de crédito, de forma que a pulverização funcione como uma camada adicional de proteção, e não como substituto da avaliação criteriosa de cada recebível incorporado à carteira.
Estruturas híbridas combinam elementos de ambos os modelos
Entre os extremos de um fundo estritamente monocedente e um fundo amplamente pulverizado, o mercado brasileiro também estruturou modelos híbridos, nos quais um FIDC concentra sua originação em um número limitado de cedentes estratégicos, mas mantém uma base ampla e diversificada de sacados devedores desses recebíveis. Essa configuração intermediária permite que gestores especializados em determinados nichos de originação mantenham relacionamento próximo com um grupo reduzido de cedentes, ao mesmo tempo em que preservam a proteção conferida pela pulverização de risco entre múltiplos devedores finais.
A escolha entre uma estrutura estritamente pulverizada e um modelo híbrido costuma refletir a estratégia de originação do gestor responsável pela captação de recebíveis, bem como o perfil de retorno buscado pelos cotistas do fundo, uma vez que estruturas mais concentradas em poucos cedentes tendem a exigir do administrador fiduciário um acompanhamento ainda mais próximo da saúde financeira de cada um desses parceiros estratégicos ao longo da vida da operação.
Perspectivas para a estruturação de carteiras diversificadas em FIDCs
Com a indústria de FIDCs brasileira ampliando sua base de investidores institucionais e atraindo um número crescente de cedentes de diferentes portes e setores, a tendência é que estruturas multicedente e multissacado sigam ganhando relevância como alternativa capaz de conciliar diversificação de risco com acesso a uma base ampla de originadores de recebíveis. Para administradores fiduciários especializados nesse tipo de estrutura, o monitoramento rigoroso dos limites regulamentares de concentração deve continuar como um pilar técnico essencial para sustentar a confiança de investidores na indústria de crédito estruturado.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.